Brasil Francês, O

Calcule o valor e prazo do frete

    Sinopse

    Características

    Em 'O Brasil Francês' , Andrea Daher analisa as características da missão francesa no Brasil - que buscava a cristianização e a ocidentalização dos selvagens -, a partir de um estudo da colônia do Maranhão. A autora compara os discursos dos capuchinhos franceses com os dos jesuítas portugueses e reflete com sutileza sobre os diferentes olhares desses colonizadores. Este é um livro raro, inteligentíssimo e delicioso de ler. Tratando de projetos europeus de colonização do Brasil e do Maranhão nos séculos XVI e XVII, Andrea Daher observa franceses par deçà, na Europa, e Tupinambá par delà, na América. Perspicaz, versátil, treinada pela antropologia, pela historiografia e pela literatura, sua escrita extrai relações inesperadas de resíduos de arquivos, desnaturalizando o senso comum acumulado sobre eles. Situando-se entre, no espaço do atrito quase sempre violentíssimo das culturas, traça linhas de fuga que ora se cruzam, ora se afastam, sem dar razão a nenhuma das partes que deslizam nelas; na companhia do muito amável Jean de Léry, sua escrita é um devir francês huguenote, na França Antártica da Guanabara do século XVI; nos matos do Rio, do Maranhão e no corpo daqueles seis Tupinambá que foram espantar a corte francesa em Rouen, é um devir bugre das baixas latitudes; na França Equinocial, no Maranhão do século XVII, com os não menos excelentes capuchinhos Claude d'Abbeville e Yves d'Évreux, é um devir francês católico. E, não podia faltar, com o prático Nóbrega e o duro Gândavo, um devir português. O que demonstra a autora nesses devires? Antes de tudo, que a história é destruição. De um lado, o projeto 'mair' francês, semelhante ao projeto 'peró', português, de ocupar militar e economicamente o território, tenta converter os selvagens à Letra do Deus cristão estilhaçada pelas guerras religiosas. Pressupondo a posse exclusiva da verdade, as interpretações francesas e portuguesas produzem naturezas diversas para o índio. No século XVI, enquanto 'mair huguenotes' e 'peró' católicos se matam o mais que podem, vão tatuando nos corpos gentios as verdades hierárquicas da sua religião revelada. Os Tupinambá respondem como sabem ou como podem; fazem guerras, vingam-se, matam e comem 'peró', afirmam quase sempre evitar o 'moquém de mair', entregam-se, fogem, morrem. No século XVII, a destruição continua - agora mair católicos disputam a ilha do Maranhão com 'peró' católicos e os Tupinambá vão sendo assassinados por todos os lados. Ou viram escravos. Às vezes, objeto da curiosidade, avó ou mãe da etnografia, são levados para a Europa, onde são batizados, dançam para reis, morrem e viram peças de museu. Não há nenhuma moral da história na história que Andrea escreve. E quem tem a palavra, em vários sentidos no final, é o chefe índio Mororé Guassu, que espera o leitor para a bucanagem e o cauim deste livro saborosíssimo.

    Home

    Sinopse1Em 'O Brasil Francês' , Andrea Daher analisa as características da missão francesa no Brasil - que buscava a cristianização e a ocidentalização dos selvagens -, a partir de um estudo da colônia do Maranhão. A autora compara os discursos dos capuchinhos franceses com os dos jesuítas portugueses e reflete com sutileza sobre os diferentes olhares desses colonizadores. Este é um livro raro, inteligentíssimo e delicioso de ler. Tratando de projetos europeus de colonização do Brasil e do Maranhão nos séculos XVI e XVII, Andrea Daher observa franceses par deçà, na Europa, e Tupinambá par delà, na América. Perspicaz, versátil, treinada pela antropologia, pela historiografia e pela literatura, sua escrita extrai relações inesperadas de resíduos de arquivos, desnaturalizando o senso comum acumulado sobre eles. Situando-se entre, no espaço do atrito quase sempre violentíssimo das culturas, traça linhas de fuga que ora se cruzam, ora se afastam, sem dar razão a nenhuma das partes que deslizam nelas; na companhia do muito amável Jean de Léry, sua escrita é um devir francês huguenote, na França Antártica da Guanabara do século XVI; nos matos do Rio, do Maranhão e no corpo daqueles seis Tupinambá que foram espantar a corte francesa em Rouen, é um devir bugre das baixas latitudes; na França Equinocial, no Maranhão do século XVII, com os não menos excelentes capuchinhos Claude d'Abbeville e Yves d'Évreux, é um devir francês católico. E, não podia faltar, com o prático Nóbrega e o duro Gândavo, um devir português. O que demonstra a autora nesses devires? Antes de tudo, que a história é destruição. De um lado, o projeto 'mair' francês, semelhante ao projeto 'peró', português, de ocupar militar e economicamente o território, tenta converter os selvagens à Letra do Deus cristão estilhaçada pelas guerras religiosas. Pressupondo a posse exclusiva da verdade, as interpretações francesas e portuguesas produzem naturezas diversas para o índio. No século XVI, enquanto 'mair huguenotes' e 'peró' católicos se matam o mais que podem, vão tatuando nos corpos gentios as verdades hierárquicas da sua religião revelada. Os Tupinambá respondem como sabem ou como podem; fazem guerras, vingam-se, matam e comem 'peró', afirmam quase sempre evitar o 'moquém de mair', entregam-se, fogem, morrem. No século XVII, a destruição continua - agora mair católicos disputam a ilha do Maranhão com 'peró' católicos e os Tupinambá vão sendo assassinados por todos os lados. Ou viram escravos. Às vezes, objeto da curiosidade, avó ou mãe da etnografia, são levados para a Europa, onde são batizados, dançam para reis, morrem e viram peças de museu. Não há nenhuma moral da história na história que Andrea escreve. E quem tem a palavra, em vários sentidos no final, é o chefe índio Mororé Guassu, que espera o leitor para a bucanagem e o cauim deste livro saborosíssimo.
    Autor1DAHER, ANDREA

    Especificação

    ISBN9788520007730
    TítuloBrasil Francês, O
    EditoraCIVILIZACAO BRASILEIRA
    Formato16 X 23 cm
    Espessura3 cm
    Páginas364
    IdiomaPortuguês
    AssuntoHISTORIA DO BRASIL
    Tipo de CapaBrochura
    Edição1ª Edição
    Ano de Publicação2007

    QUEM VIU, VIU TAMBÉM

    Veja os livros que os outros também se interessam!

    Quem viu, viu também

    QUEM COMPROU, COMPROU TAMBÉM

    Veja os livros que os outros também se interessam!

    Quem comprou, comprou também

    MAIS VENDIDOS

    Veja os livros mais vendidos desta categoria!

      CONTINUECOM A GENTE!
      Assine nossa newsletter e fique por dentro das novidades da Livraria Unesp!